By: Jéssica Rondely
Capítulo 1 : Vidas separadas.
É doloroso ter de recontar a história da minha tragetória ; mas as coisas devem ser finalmente esclarecidas.
Chamo-me Véronique Blanc Legrand , nascida em mil oitocentos e oitenta e dois na linda cidade de Château de Saint-Germain-en-Laye (França) , descendente da nobre família de Viscondes Legrand. Fascinada por pianos e entregue à palavras , busquei a felicidade por onde o coração me guiasse. Desde muito nova fui prometida matrimonialmente à um jovem não tão mais velho que eu, o Conde Mathéo D'Alembert Bonnet.
A história começa na primavera. Alcançando idade e experiência suficiente para assumir responsabilidades domésticas , mudei-me para a casa de meu futuro marido. Sentia-me completamente deslocada naquele casarão , convivendo com uma família pela qual não me adaptava ; meu noivo era um estranho diante de meus olhos. Por alguns dias as frases não me saiam à boca, expressava minhas vontades sempre com palavras monossilábicas e sem graça.
Não podia dormir no mesmo quarto que Mathéo , e como ele estava sempre tratando de interesses comerciais e financeiros , prozeavamos muito raramente. Os dias passavam lerdos até que se pudesse completar um ano. Até então já havia me acostumado com a presença dos novos familiares, mas não conhecia meu noivo afundo e nem o amava.
Novembro; em um dia comum tragei-me de vestes adequadas para contemplar o magnífico sol poente do jardim enquanto saboreava com calma o chá da tarde, sempre costumei seguir essa rotina sozinha. A distração tomava conta de gestos corriqueiros quando meus olhos devoravam o horizonte. Um ponto diferente na paisagem me levou a desprender a atenção do céu e focar na figura de um homem, atento a cada movimento meu e com um sorriso um tanto sarcástico nos lábios. Meu prometido.
Ele se aproximou da mesinha onde tomava meu chá e sentou-se rente a mim, preenchendo outra chícara. Disse:
- O pôr do sol aqui é mesmo deslumbrante, não é?
- Sim, é lindo. - respostas curtas e simples ,como já estava habituada a usar.
Mathéu sorriu por dois segundos e após uma pausa silenciosa voltou a puxar conversa:
- Só não é mais belo que o seu olhar. Será que podes não usar mais de termos curtos ao dirigir-se a mim? Afinal , daqui a uns tempos casamos. Não pretendo esposar uma mulher que não conheço bem.
A voz ameaçou falhar, o corpo parecia mais aquecido; e mesmo assim busquei coragem para responder.
- Será como quiser senhor Conde. Por onde devemos começar então?
- Comece não me chamando mais de senhor Conde, me faz parecer anos mais velho, pra você sou Mathéu. Mas diga-me, quem é Véronique Blanc Legrand ?
- Pergunta mais boba senh...nh... Mathéu! - mesmo que tivesse compreendido a questão que me fora apresentada, hesitei.
- Vejo nos teus olhos que pode responde-la sem delongas.
Estava certo, dei-lhe o que queria.
- Sou exatamente como você me vê. Sou gestos, palavras, sentimentos e ações. E tu, quem és?
Observei fascínio em seu sorriso por culpa da resposta obtida e da pergunta sequencial.
- Já eu sou um eterno apaixonado. Estimo os traços incertos da vida carregando sempre o fardo de erros que cometi e a glória de ter aprendido com cada um deles. Sou como o sol, tenho meu fogo e minha força sem nunca ter deixado para traz a delicadeza e o romance. Sou tudo o que você não espera de mim.
A conversa prosseguiu. A noite surgiu depressa ,mas nosso momento continuou até o raiar do dia seguinte. Pode ser um pouco estranho, mas não fui tomada pelo cansaço. As coisas que jorravam dos lábios doces daquele homem pareciam saciar a fome de meus ouvidos atentos e cada vez mais interessados, pude perceber a mesma reação dele. Na semana seguinte a esta, continuávamos por repetir as horas de prosa prolongada, mas das outras vezes sem descuidar da hora. Estávamos nos conhecendo e isso era esplêndido.
O tempo continuou a seguir seu rumo até que eu pudesse admirar tudo em Mathéu. Sua presença era como um veneno de efeito enérgico; parecia perder o controle de meu próprio corpo. Pernas que aparentavam desabar de tão bambas, o coração que quase saía pela boca, os pensamentos que direcionavam-se a uma só pessoa. Estava distraída, impaciente, indecisa e ainda confusa. Queria sempre achar explicação pro que sentia, afinal, mentir para si mesmo é sempre a pior mentira.
Gosto de arriscar todas as fichas em jogos de cartas marcadas, então fui adiante. Se não falasse aquele homem o quanto ele significava , era muito provável que chegasse a enlouquecer completamente. Tarde demais, uma loucura estranha me acompanhava.
Lá estava ele , tão pensativo sentado rente ao balcão do escritório, chegava a ser quase irresistível. Ao notar minha ilustre presença, colocou de lado os papéis e desviou sua atenção exclusivamente a minha pessoa.
- Nossa! A senhorita não faz idéia do brilho que tens. Acaba de iluminar não só o escritório como também o meu dia. Agora já é possível declarar-me um homem de sorte. Mas a que devo a honra da visita da mulher mais bela que já tive o prazer de contemplar?
Ele sabia exatamente como me deixar sem graça. Ergueu-se de sua poltrona e beijou-me a mão.
- Mathéu , tem uma coisa que está me enlouquecendo.- a aflição destacava-se na minha face.
Preocupado , interrompe meu discursar e acrescenta o nervosismo aparente em sua declaração seguinte:
- O que aconteceu? - fixava intensamente em mim.
- Não fique preocupado por favor , o problema é..é que...- minha gagueira era visível assim como o sorriso que nascia em seu rosto.- estou completamente apaixonada por você.- apertei as pálpebras com força esperando uma reação negativa.
Ele me abraçou com vigor, o que encorajou meu corpo a relaxar e apenas aquele abraço ,aceitando-o como uma das melhores sensações que já havia experimentado. Os corpos foram separados de forma lenta; agora ele tomava me queixo em direção ao seu , unindo os lábios em um beijo único e ardente.Não podíamos mais resistir um ao outro.
Mathéu era ótimo com versos. Recitava-me sempre que um lhe viesse a cabeça; iniciou sua recitação:
-'' Quando aprendi a te amar, o mundo passou a ser meu. Antes de tê-la em meus braços , rezei todos os dias para que Deus enviasse um anjo que pudesse guardar meu coração, finalmente tive minhas preces atendidas. Meu caminho é uma trilha hesitante que quero traçar contigo a cada amanhecer. És o luar que faltava nas noites que passei em claro observando o céu escuro. Desejo conquistá-la todos os dias apenas para provar-lhe o quanto a amo, e tornar visível a variação de personalidades que posso ter somente para o teu agrado. Quero beijar teus lábios até que os números desistam de tentar nos acompanhar; acordar todas as manhãs e ver que a mulher certa está ao lado, acompanhando todas as trajetórias cotidianas. Por ti começo a transpor os portões da razão e mergulhar consciente na imprudência de amar-te. Mas que surpresa , quem poderia prever que eu viria a sentir por você o mesmo que sentes por mim?''
O silêncio se convertia em beijos veementes. Esta seria a primeira noite que dormiríamos juntos. Como dizia claramente no acordo entre as famílias, eu deveria permanecer virgem até o casamento. Assim, esta noite ele havia apenas deitado ao meu lado na cama, sem abrir mão de acariciar meus cabelos soltos enquanto ressaltava o quanto julgava-me linda , encaixando a aparência em sentenças de amor.
-'' Teus olhos castanhos são como rios de mel que se alinham delicadamente á cada linha do teu rosto, em perfeita harmonia com seu sorriso garrido. Apreciar-te é um vício inconsequente, não contento-me com o que vi até agora e por isso busco sempre mais. Os cachos do teu cabelo dourado me lembram ondas no mar, que desabam sobre teus ombros assumindo um contraste maior causado por tua pele branca e macia. És a rosa que exala o perfume mais suave e atraente entre todo o jardim. Tão doce e tão pura, te protegerei sempre, nem que tenha que doar-me por inteiro. Minha pequena, de que me importa todo resto se não possuir a ti e ao teu amor. Juntos, mostraremos ao mundo o poder do amor verdadeiro. Sou por ti, o incompreensível , minha Véronique. ''
Capítulo 1 : Vidas separadas.
* Por: Véronique Blanc Legrand
Chamo-me Véronique Blanc Legrand , nascida em mil oitocentos e oitenta e dois na linda cidade de Château de Saint-Germain-en-Laye (França) , descendente da nobre família de Viscondes Legrand. Fascinada por pianos e entregue à palavras , busquei a felicidade por onde o coração me guiasse. Desde muito nova fui prometida matrimonialmente à um jovem não tão mais velho que eu, o Conde Mathéo D'Alembert Bonnet.
A história começa na primavera. Alcançando idade e experiência suficiente para assumir responsabilidades domésticas , mudei-me para a casa de meu futuro marido. Sentia-me completamente deslocada naquele casarão , convivendo com uma família pela qual não me adaptava ; meu noivo era um estranho diante de meus olhos. Por alguns dias as frases não me saiam à boca, expressava minhas vontades sempre com palavras monossilábicas e sem graça.
Não podia dormir no mesmo quarto que Mathéo , e como ele estava sempre tratando de interesses comerciais e financeiros , prozeavamos muito raramente. Os dias passavam lerdos até que se pudesse completar um ano. Até então já havia me acostumado com a presença dos novos familiares, mas não conhecia meu noivo afundo e nem o amava.
Novembro; em um dia comum tragei-me de vestes adequadas para contemplar o magnífico sol poente do jardim enquanto saboreava com calma o chá da tarde, sempre costumei seguir essa rotina sozinha. A distração tomava conta de gestos corriqueiros quando meus olhos devoravam o horizonte. Um ponto diferente na paisagem me levou a desprender a atenção do céu e focar na figura de um homem, atento a cada movimento meu e com um sorriso um tanto sarcástico nos lábios. Meu prometido.
Ele se aproximou da mesinha onde tomava meu chá e sentou-se rente a mim, preenchendo outra chícara. Disse:
- O pôr do sol aqui é mesmo deslumbrante, não é?
- Sim, é lindo. - respostas curtas e simples ,como já estava habituada a usar.
Mathéu sorriu por dois segundos e após uma pausa silenciosa voltou a puxar conversa:
- Só não é mais belo que o seu olhar. Será que podes não usar mais de termos curtos ao dirigir-se a mim? Afinal , daqui a uns tempos casamos. Não pretendo esposar uma mulher que não conheço bem.
A voz ameaçou falhar, o corpo parecia mais aquecido; e mesmo assim busquei coragem para responder.
- Será como quiser senhor Conde. Por onde devemos começar então?
- Comece não me chamando mais de senhor Conde, me faz parecer anos mais velho, pra você sou Mathéu. Mas diga-me, quem é Véronique Blanc Legrand ?
- Pergunta mais boba senh...nh... Mathéu! - mesmo que tivesse compreendido a questão que me fora apresentada, hesitei.
- Vejo nos teus olhos que pode responde-la sem delongas.
Estava certo, dei-lhe o que queria.
- Sou exatamente como você me vê. Sou gestos, palavras, sentimentos e ações. E tu, quem és?
Observei fascínio em seu sorriso por culpa da resposta obtida e da pergunta sequencial.
- Já eu sou um eterno apaixonado. Estimo os traços incertos da vida carregando sempre o fardo de erros que cometi e a glória de ter aprendido com cada um deles. Sou como o sol, tenho meu fogo e minha força sem nunca ter deixado para traz a delicadeza e o romance. Sou tudo o que você não espera de mim.
A conversa prosseguiu. A noite surgiu depressa ,mas nosso momento continuou até o raiar do dia seguinte. Pode ser um pouco estranho, mas não fui tomada pelo cansaço. As coisas que jorravam dos lábios doces daquele homem pareciam saciar a fome de meus ouvidos atentos e cada vez mais interessados, pude perceber a mesma reação dele. Na semana seguinte a esta, continuávamos por repetir as horas de prosa prolongada, mas das outras vezes sem descuidar da hora. Estávamos nos conhecendo e isso era esplêndido.
O tempo continuou a seguir seu rumo até que eu pudesse admirar tudo em Mathéu. Sua presença era como um veneno de efeito enérgico; parecia perder o controle de meu próprio corpo. Pernas que aparentavam desabar de tão bambas, o coração que quase saía pela boca, os pensamentos que direcionavam-se a uma só pessoa. Estava distraída, impaciente, indecisa e ainda confusa. Queria sempre achar explicação pro que sentia, afinal, mentir para si mesmo é sempre a pior mentira.
Gosto de arriscar todas as fichas em jogos de cartas marcadas, então fui adiante. Se não falasse aquele homem o quanto ele significava , era muito provável que chegasse a enlouquecer completamente. Tarde demais, uma loucura estranha me acompanhava.
Lá estava ele , tão pensativo sentado rente ao balcão do escritório, chegava a ser quase irresistível. Ao notar minha ilustre presença, colocou de lado os papéis e desviou sua atenção exclusivamente a minha pessoa.
- Nossa! A senhorita não faz idéia do brilho que tens. Acaba de iluminar não só o escritório como também o meu dia. Agora já é possível declarar-me um homem de sorte. Mas a que devo a honra da visita da mulher mais bela que já tive o prazer de contemplar?
Ele sabia exatamente como me deixar sem graça. Ergueu-se de sua poltrona e beijou-me a mão.
- Mathéu , tem uma coisa que está me enlouquecendo.- a aflição destacava-se na minha face.
Preocupado , interrompe meu discursar e acrescenta o nervosismo aparente em sua declaração seguinte:
- O que aconteceu? - fixava intensamente em mim.
- Não fique preocupado por favor , o problema é..é que...- minha gagueira era visível assim como o sorriso que nascia em seu rosto.- estou completamente apaixonada por você.- apertei as pálpebras com força esperando uma reação negativa.
Ele me abraçou com vigor, o que encorajou meu corpo a relaxar e apenas aquele abraço ,aceitando-o como uma das melhores sensações que já havia experimentado. Os corpos foram separados de forma lenta; agora ele tomava me queixo em direção ao seu , unindo os lábios em um beijo único e ardente.Não podíamos mais resistir um ao outro.
Mathéu era ótimo com versos. Recitava-me sempre que um lhe viesse a cabeça; iniciou sua recitação:
-'' Quando aprendi a te amar, o mundo passou a ser meu. Antes de tê-la em meus braços , rezei todos os dias para que Deus enviasse um anjo que pudesse guardar meu coração, finalmente tive minhas preces atendidas. Meu caminho é uma trilha hesitante que quero traçar contigo a cada amanhecer. És o luar que faltava nas noites que passei em claro observando o céu escuro. Desejo conquistá-la todos os dias apenas para provar-lhe o quanto a amo, e tornar visível a variação de personalidades que posso ter somente para o teu agrado. Quero beijar teus lábios até que os números desistam de tentar nos acompanhar; acordar todas as manhãs e ver que a mulher certa está ao lado, acompanhando todas as trajetórias cotidianas. Por ti começo a transpor os portões da razão e mergulhar consciente na imprudência de amar-te. Mas que surpresa , quem poderia prever que eu viria a sentir por você o mesmo que sentes por mim?''
O silêncio se convertia em beijos veementes. Esta seria a primeira noite que dormiríamos juntos. Como dizia claramente no acordo entre as famílias, eu deveria permanecer virgem até o casamento. Assim, esta noite ele havia apenas deitado ao meu lado na cama, sem abrir mão de acariciar meus cabelos soltos enquanto ressaltava o quanto julgava-me linda , encaixando a aparência em sentenças de amor.
-'' Teus olhos castanhos são como rios de mel que se alinham delicadamente á cada linha do teu rosto, em perfeita harmonia com seu sorriso garrido. Apreciar-te é um vício inconsequente, não contento-me com o que vi até agora e por isso busco sempre mais. Os cachos do teu cabelo dourado me lembram ondas no mar, que desabam sobre teus ombros assumindo um contraste maior causado por tua pele branca e macia. És a rosa que exala o perfume mais suave e atraente entre todo o jardim. Tão doce e tão pura, te protegerei sempre, nem que tenha que doar-me por inteiro. Minha pequena, de que me importa todo resto se não possuir a ti e ao teu amor. Juntos, mostraremos ao mundo o poder do amor verdadeiro. Sou por ti, o incompreensível , minha Véronique. '' Quando o sono conseguia me vencer, Mathéu ficava por horas me olhando dormir. Meus sonhos sempre me guiavam à meu amor e sentia-me feliz como uma criança ao vê-lo novamente pela manhã. Havia perdido todos os vestígios de racionalidade.
Cap 2 : em andamento...

Parabéns!! estou amando tudo! Vê vai logo com o 2º capitulo! Já vou salvar esse no meu pc (posso fazer isso? claro! eu sou sua amiga!).
ResponderExcluirparabéns novamente. Estou ansiosa pelo proximo capitulo! não demore!